Entenda o que é o Efeito Estufa

O efeito estufa é um fenômeno natural que faz com que a Terra seja habitável, já que, se nosso planeta não estivesse protegido por um envoltório de gases causadores deste efeito, sua temperatura média seria de 18 graus abaixo de zero.

Esses gases são comparáveis aos painéis de vidro de uma estufa, à medida que isolam a Terra e impedem que escape dela o calor produzido pelos raios infravermelhos.

O problema é que a atividade humana provocou um aumento da concentração na atmosfera desses gases desde a Revolução Industrial, o que intensifica o efeito estufa e, portanto, produz um aumento das temperaturas da Terra.

Desde o fim do século XIX e início da era industrial, as emissões de gases causadores de efeito estufa aumentaram 35% e a temperatura média, um grau.

Os principais gases com efeito estufa são o gás carbônico ou dióxido de carbono (CO2, 60% das emissões), o metano (CH4), o protóxido de nitrogênio (N20), os hidrofluorocarbonos (HFC), o perfluorocarbono (PFC) e o hexafluoreto de enxofre (SF6).

Segundo os cientistas, a concentração de CO2 na atmosfera alcançou níveis nunca vistos em 420.000 anos e esta situação vai perdurar por 200 anos.

SAIBA O QUE É O PROTOCOLO DE KYOTO SOBRE MUDANÇAS CLIMÁTICAS

O Protocolo de Kyoto sobre Mudanças Climáticas é considerado o mais estrito dos cerca de 200 acordos internacionais sobre o meio ambiente.

Concluído em 11 de dezembro de 1997, em Kyoto (Japão), o protocolo, que entrou em vigor em fevereiro de 2005, impõe a redução das emissões de seis gases causadores do efeito estufa, responsável pelo aquecimento do planeta. São eles CO2 (gás carbônico ou dióxido de carbono), CH4 (metano), óxido nitroso (N20), e outros três gases fluorados (HFC, PFC, SF6).

As reduções variam dependendo dos países industrializados: -6% para Japão e Canadá, 0% para a Rússia e -8% para 15 dos países da União Européia. Estas reduções devem ser calculadas para o período 2008-2012, com relação aos níveis de 1990.

Desde a decisão dos Estados Unidos, em 2001, de não ratificar o documento, o protocolo cobre menos de um terço das emissões mundiais de CO2, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).

Este tratado obriga a diminuição do uso de energias fósseis, como o carbono, o petróleo e o gás, que representam 75% destas emissões.

O uso destes combustíveis fósseis aumenta com o crescimento econômico, razão pela qual o protocolo representa um esforço considerável para alguns países em relação ao aumento natural de suas emissões.

Este é o caso de Canadá e Japão, cujas emissões subiram, respectivamente 24,2% e 12,8%, desde 1990. Os Estados Unidos, que teriam que reduzir suas emissões em 7%, prevêem um aumento de 35% para 2012, o que explica sua decisão, em 2001, de não ratificar o Protocolo.

Brasil, China, Índia, México e outros países do hemisfério sul não fizeram objeção em ratificá-lo, já que, na condição de países em desenvolvimento, só assumiram o compromisso de fazer um inventário.

AQUECIMENTO CLIMÁTICO É CADA VEZ MAIS VISÍVEL, ALERTAM ESPECIALISTAS

Especialistas mundiais que receberam a incumbência da ONU de preparar um quarto relatório sobre a mudança climática apresentarão em 2007 um documento que confirmará as más notícias, em particular a extensão e a rapidez do fenômeno, que é cada vez mais visível.

O que se previa em 1990 agora se pode verificar: uma trajetória de cerca de +0,2 grau centígrado por década. Além disso, o aquecimento se tornou visível. Os céticos sobre o efeito estufa estão ficando sem argumentos, diz o climatologista francês Jean Jouzel.

Jouzel é diretor do Grupo Intergovernamental de Especialistas em Evolução do Clima (GIEC), criado em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), e que é o responsável pela perícia mais ampla sobre este tema complexo.

Não há nenhum elemento, apesar da multiplicação de trabalhos desde o relatório anterior de 2001, que desminta a certeza de que estamos diante de um efeito de aquecimento. E o fenômeno está se acelerando até mesmo nos lugares onde era mais perceptível, por efeito de ampliação.

Confirmam esta perspectiva fenômenos devidamente constatados como o encolhimento da calota no Pólo Norte ou a forma como se derretem as geleiras da Groenlândia ou do permafrost (solo permanentemente congelado) da Sibéria.

Só na Europa, em 30 anos se perderam 2 milhões de quilômetros quadrados de superfície com neve no inverno, destaca Jouzel.

Na Antártica, o continente gelado em torno do Pólo Sul, a situação é menos evidente devido à sua massa, mas o aquecimento da região não admite a menor dúvida. Os modelos climáticos são corroborados cada vez mais pelas análises de campo, insiste Jouzel.

As dúvidas também se derretem, exceto quanto ao papel dos oceanos, ainda misterioso, e à multiplicação dos fenômenos climáticos extremos, como os ciclones, que se discutem, afirma.

Com relação ao anterior, o exercício de 2007 será amplo e mais complexo, deve permitir afinar as previsões regionais, destaca por sua vez Serge Planton, encarregado do Grupo de Pesquisas sobre o Clima do Meteo-France, um serviço também associado ao GIEC.

Alguns cenários, principalmente franceses, que consideram uma redução das emissões de gases causadores de efeito estufa, demonstram que mesmo se estas fossem estabilizadas agora (o que não é o caso), a temperatura continuaria aumentando até 2300 por causa da inércia do clima. Os mesmos mostram que o homem pode agir na escala de um século e que isto pode se traduzir, no fim das contas, em um grau de diferença, destaca Planton.

Em 2001, o GIEC entrou em acordo sobre um aquecimento médio do planeta de, no mínimo, +1,4 a +5,8 graus centígrados até 2100. Desde então, as simulações feitas em laboratório não tiveram resultados muito diferentes, diz Jouzel, apesar de alguns climatologistas afirmarem que se deve esperar um aumento de +2 graus centígrados pelo menos.

Os resultados serão submetidos ao consenso dos cientistas e dos governos, como estabelece o procedimento para todos os trabalhos do GIEC, antes da publicação do relatório 2007, no início de fevereiro.

Fonte: www.g1.globo.com

   
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